A vida de designer geralmente é trabalho-casa, casa-trabalho e muitas vezes esquecemos das pequenas coisas e talentos que também temos, como o da gastronomia. Comer com os olhos já é algo que chefs e designers fazem com gosto, mas cada ingrediente conta em um layout bem feito. Sem contar que existe muito de branding em gastronomia, onde uma fonte errada pode azedar qualquer receita.
Sem dúvida, comer bem abre a mente para boas ideias. Confiram abaixo minha experiência no TEDxCampos e como a gastronomia pode inspirar nosso trabalho.
Sábado retrasado tive a honra de participar do TEDxCampos, com o tema “Alimentando ideias, inspirando as relações humanas”, foi o primeiro evento TED a abordar este tema no Brasil. TED significa tecnologia, entretenimento e design. Saiba mais sobre o TED
Alexandre Franzolim um dos organizadores do evento subiu ao palco para oficializar a abertura do evento e homenagear o filho da floresta Zé Claudio Ribeiro que foi assassinado recentemente junto com sua esposa por proteger a nossa floresta dos madeireiros. Não podemos deixar que ele tenha partido em vão, temos que seguir seu exemplo de coragem e atitude, veja o vídeo.
Com um cardápio variado o banquete de ideias começou com o jornalista Josimar Melo que além de fazer o cerimonial também proporcionou momentos descontraídos e de reflexão “Devemos comer com consciência sócio ambiental, temos que comer e pensar”.
O cardápio do evento ainda contou com chefs, que nos estimularam a valorizar os produtos naturais e nacionais, temos que dar valor em nossos ingredientes e sempre nos alimentar de maneira saudável.

A chef Flávia Quaresma falou sobre a brasilidade, somos a bola da vez na gastronomia “Estamos em busca pela nossa identidade cultural, temos que valorizar nossos ingredientes”.
Vitor Sobral, chef português apontou que “Temos que ter orgulho da nossa cultural gastronômica, a cozinha brasileira é a melhor de todas que já provou, devido a nossa variedade de ingredientes nativos e da mistura cultural”.

Luciana Quintão da ONG Banco de Alimentos nos mostrou que somos o quarto maior produto de alimentos do mundo e somos o sexto em desnutrição. “Como um país rico pode ter fome, como criar uma ponte onde sobrava e onde faltava alimentos”, “Pra um gigante adormecido acordar, basta abrir os olhos. Só se mata a fome abrindo a boca” Monique Franco “Nina Rosa” e Luciana Quintão criam “Projetos para alimentar, educar e transformar”

Empresários do ramo alimentício também acrescentaram conhecimentos estratégicos e de como transformar o mundo através dos alimentos
O empresário e gestor de restaurantes Marcelo Fernandes disse que “Velho é diferente de tradicional”, “Invista em funcionários, fornecedores e clientes”
Juliana Motter apresentou o conceito brigadeiro gourmet e enfatizou que o “Brigadeiro é o novo ícone nacional da gastronomia, a receita é nossa”. Seu apelido de escola “Maria Brigadeiro” (acho que era bullying, rs) virou seu grande negócio.
O cozinheiro Marcelo Traldi alertou para a qualidade dos alimentos “Tudo que foi rejetitado lá fora, é bem aceito aqui, temos que deixar o fast food e começar a valorizar nossos alimentos”, “Trocamos o arroz e o feijão por produtos tóxicos”, “Educação alimentar tem que ser dada na escola, porque as mães de hoje não tem tempo cozinhar e ensinar”
O empresário surfista e padeiro João Corbier chamou a atenção para combinarmos saúde com sabor, ele montou a primeira Padaria Integral do Brasil em Ubatuba com pordutos locais, movimentando a economia local.
Claudia Mattos incentiva o slow food e defende os jardins úteis, onde podem ser plantados alimentos e remédios, e também mantém o projeto Arca do Gosto para preservar espécies em extinção, “A natureza tem todos os remédios”
Seguindo o evento a ambientalista Laura de Santis Prada apresentou o Sítio Gralha Azul, onde cultivam alimentos diferenciados, “Por que insistimos em comer o que é mais difícil de plantar?”, “Nos alimentamos de apenas 12 espécies de plantas e de 5 animais”, “Temos que restaurar a convivência harmônica com a natureza”.
O astro e chef ex-jogador de futebol americano G. Garvin defende a integridade dos alimentos, com o programa cozinhar é simples, o chef cozinha ao som de hip hop, e tem o objetivo de entender o processo do prato para saber como as coisas são feitas. Mas como todo americano, não dispensa um bom hamburguer.

Jose Barattino criou um ponte entre o abismo do pequeno agricultor e os restaurantes com o projeto
Família Orgânica onde capacita pequenos produtores.
O irmãos Michael e Guy Rubino acreditam que “Mediocridade é fazer coisas rápidas pra ganhar dinheiro”, “Temos que fazer as coisas com paixão, criatividade e coragem para termos sucesso”

O evento também foi regado a bom humor, irreverência e boa música.
O hilário Paulo Tiefenthaler do Larica Total também acredita que a “Culinária deveria ser ensinada na escola”, assista o episódio do Sushi de Feijoada é muito engraçado.
Rony Cácio do Comida dos Astros apresentou suas paródias gastrocômicas e o Merenda dos Astros, um projeto voltado para a educação alimentar infantil.
Dentre as tantas boas receitas apresentadas para melhorar o nosso dia a dia, Simone Mattar chamou atenção com o foodbranding. Sua apresentação começou com a frase “Odeio restaurantes projetados por arquitetos, faço a arquitetura da coxinha”

Simone apresentou cases como o da Vinícula Salton, Galetos, Frutífera da Natura entre outros, que apreciaremos semana que vem aqui no DotR, vou separar este post em duas partes pra não ficar muito massante.
A fundadora (e presidente) da canadense Chef Network Carmen Correia apresentou o projeto que conecta chefs e público faminto por novidades gastronômicas, e que cria eventos diferenciados.

Para a sobremesa ainda podemos apreciar a musicalidade brasileira da cantora Fabiana Cozza e do Wilson Simoninha que encerrou o evento com a música Pais Tropical.
Pensa que acabou? Depois do evento fomos convidados a ir para o salão principal para participar de um banquete, dessa vez de comida mesmo, oferecido pelo Grande Hotel Senac e que estava delicioso.

O evento realmente saciou a fome por conhecimento, e nutriu a mente de novas e bas ideias, mas também deixou um gostinho de quero (muito) mais, agora é botar a mão na massa pra colocar algumas receitas em prática.
Semana que vem falaremos sobre o foodbranding que a Simone Mattar apresentou.
Para saber mais sobre o evento e sobre os palestrantes, acesse wwww.tedxcampos.com.br ou siga @texcampos no twitter.
Parabéns para todos os envolvidos, fiquei satisfeitíssimo, ou melhor, de bucho e mente cheios, obrigado #TEDxCampos e todos o participantes por compartilharem tantas boas receitas. O evento foi além das expectativas, me inspirou muito.
Valeu @tiagovveloso por ter cedido as fotos e pelas troca de ideias.
Abraços, fiquem na paz,
Allan Marcel //// @allan_marcel
Somar, multiplicar e dividir ; )
Este é o papel do place branding, seu principal objetivo é tratar um lugar, cidade ou país como produto, a fim de torná-lo mais competitivo e atrativo. Atua para 2 públicos, primeiro para os residentes afim de elevar a auto estima e fidelizar os moradores, e segundo para os não residentes com o intuito de atrair investidores, turistas e movimentar a economia local.
Recentemente no workshop do Hugo Kovadloff (veja aqui), foram apresentados alguns cases, entre eles o I Love NY que é considerada a primeira marca de uma cidade/país lançada na década de 70 e criada por Milton Glaser, até o caso mais recente que era a marca do Peru.
Porém, dias atrás, me deparei com a nova marca de Moscow, que foi inspirada nos text messaging ou texting, que são os sinais formados por caracteres como: o_O e : ). A ideia do arquiteto Nicholas Pereslegina e do designer Alexander Pershikova é reposicionar a cidade como um dos melhores lugares do mundo pra se viver e fazer negócios, o projeto não tem envolvimento do governo (nem aprovação), mas não é só mais um projeto pra ficar no Behance, pois já está nas ruas da cidade. O conceito da marca nova é surpresa + sorriso = Wow.

Eu gostei da ideia, já trabalhei alguns projetos utilizando texting, acho legal, tem a ver com esse momento plugado que vivemos. Veja mais fotos do projeto clicando aqui.
Seguindo essa linguagem a marca I Love NY ficaria assim nos dias de hoje I S2 NY, o que acham?

Um grande case brasileiro de place branding é o “Eu Sou da Lapa” lançado em 2005 e criado pela agência Espalhe, o objetivo era criar um sentimento positivo com relação ao bairro para vender imóveis, e eles conseguiram, veja aqui. Em sites de busca também são encontrados os projetos “Eu Amo Gama” bairro de Brasília/DF e o “Abrace o Brás” de São Paulo.

Nosso país é representado pela marca “Brasil Sensacional” o logotipo foi inspirada no trabalho do artista plástico Roberto Burle Marx e representa uma aquarela, com alegria, com formas sinuosas da natureza e com brilho que o povo brasileiro tem, o conceito explica que o Brasil é visto lá fora por ser multi colorido, por isso a mistura das formas e cores.


Mas você acha que esta marca transmite o que o nosso país é, esta marca expressa nossas culturas e tradições, esta marca é ideal para divulgar o país, ou você acha que deveria ter um ícone para representar o país, e que ícone deveria ser este, uma arara azul, o futebol, o carnaval? Nós temos um ícone? http://www.youtube.com/user/brazilsensational#p/u/0/ugNiL944Yg4
Bem o que importa é que todos os casos tem em comum o objetivo de alavancar a economia local, porém, acredito que seja possível criar projetos para resgatar a cultura, tradições e também elevar a auto estima de uma comunidade.
Aproveite este post, e veja no que você pode contribuir para ajudar a revitalizar seu bairro, sua comunidade, sua cidade ou quem sabe seu estado ou até mesmo nosso país.
Veja mais:
http://www.turismo.gov.br/turismo/multimidia/campanhas_publicitarias/brasil_sensacional.html
Abraços, fiquem na paz ; )
Allan Marcel //// @allan_marcel
Grande em sabedoria, generosidade e humildade
Fala galera sedenta por design e criatividade, meu nome é Allan Marcel, tenho 28 anos e trabalho com design e comunicação há algum tempo. Faço hoje meu primeiro post aqui no DotR, espero que curtam, participem e compartilhem.
Entre os cursos e workshops aos quais já participei, este com Hugo Kovadloff que aconteceu no último final de semana nos dias 13 e 14 em Sorocaba, superou de longe qualquer expectativa. Além de termos uma aula de história do design nacional e internacional e aprender sobre as metodologias para um bom branding, também aprendemos como é importante ser bom não só no que faz, mas em tudo o que faz.
Hugo nos levou a uma viagem no tempo, mostrando a Letraset, a máquina Olivetti, entre outras ferramentas e processos do começo da história do design, dizendo o quanto foram e são importantes para a evolução contínua dos processos criativos. Também lembrou do livro “Modernidade Líquida”, do sociólogo e escritor Zygmunt Bauman, alertando que temos que estar num constante processo de aprendizado para encarar as mudanças frequentes do mundo.
Durante o workshop, comentou sobre inspirações e referências do início de sua carreira, que vão desde as propagandas da Olivetti da década de 60, quando comprou sua Olivetti Valentine 1969, projetada por Ettore Sottsass, passando School of Visual Arts de NY, o design Suiço e Alemão, a Pentagran, Dieter Rams da Braun, Raymond Loewy – que foi um dos mais conhecidos designers industriais do século XX – até o grande Alexandre Wollner que além de inspirá-lo também o ensinou.
Hugo ainda contou como foi sua jornada profissional, desde a década de 60 quando estudou pintura e depois fotografia, até o encontro com o mestre Alexandre Wollner na SAO, extinto departamento de design da DPZ, onde junto de Wollner trabalhou na criação da marca Itaú e, posteriormente, em outras marcas como Vasp, Kablim, Monark, Metal Leve, JHS, Hollywood, Dorgão, Rener entre outras, e um período na NewcommBates, grupo de Roberto Justus.
Frases como: “Antes de pensar em solucionar o problema do cliente, entenda e conheça o problema”, “Design é um plano mental, um projeto, uma estratégia, o design tem que resolver o problema”, “Marca não é só um símbolo, são experiências construídas junto a pessoas”, “A marca traduz uma visão de negócio” e “A marca é para o cliente e não para o dono da empresa” marcaram sua palestra.
Kovadloff também apresentou todo o processo e as metodologias da GAD Branding, agência onde é diretor de criação, mostrando os cases de sucessos das marcas EMS, Claro, Galvão Engenharia, CPFL Cultura e Ipiranga Química – quantiQ, onde fizeram o projeto de naming e identidade de marca que foi criada e lançada em 60 dias, um desafio que foi superado por ter envolvido todos da GAD junto com o comprometimento de seus fornecedores – este case, aliás, levou Ouro no Wave Festival 2009.
Já no final rolou um bate papo sobre place branding, contando sobre a marca “I Love NY”, a primeira marca de uma cidade/país, lançada na década de 1970 por Milton Glaser com objetivo de fidelizar o público local e atrair turistas, depois foi mostrado o place branding do Peru http://www.youtube.com/watch?v=g04MMrj6Vxc
E pra fechar em grande estilo, Hugo fez questão de assinar e entregar o certificado um a um para cada participante, nos motivando e parabenizando por ter participado ativamente deste bate papo entre amigos.
Mais uma vez a Penso Design fez um evento de qualidade incomparável: parabéns ao Marcelo Silvani, a Janaina Silvani, a Carla Salles e a toda equipe da @pensoeventos.
Obrigado grande Hugo Kovadloff, por todo conhecimento e humildade compartilhados!

Agradeço a Deus por ter colocado pessoas especiais em minha vida, também aos amigos Domenico Justo @designontherock, Renan Bolonha @renanbolonha, Vinicius Dias @vinicius__prado pela força e aos amigos Tiago Rodrigues @tiagoslim, Daniel Campos @logobr, Lucas Rocha @lucaslucasrocha pelos bate papos e a minha amiga Tieli Nakamura @titieli pela revisão do texto.
Abraços galera, tamo junto, fiquem na paz.
Allan Marcel //// @allan_marcel
Somar, Multiplicar e Dividir //// @tks4share ; )