Primeira coisa antes de começarmos, é dizer que seu público alvo, provavelmente está procurando sempre algo visual, e se for o caso de um contratante, na maioria das vezes ele estará com pressa e quer algo objetivo, portanto, não enrole, seja direto! Vamos às dicas.
1 – O portfólio de uma página
Não tenho muita idéia de quem começou com isso, mas com certeza é uma das melhores sacadas para se expor seus trabalhos, o chamado One page fólio, ou portfólio de uma página. O interessante nesse tipo de exposição é que em uma única tela você vai mostrar o preview dos seus trabalhos sem enrolar, podendo dar ao visitante uma boa idéia do que você andou fazendo. Outra vantagem desse modelo é que trabalhos em flash geralmente pesados podem ser mostrados em algumas telas somente, poupando o visitante de ter de aguentar o preloading do site inteiro. Se for mostrar algo em Flash, dê uma prévia das principais telas do site, coloque um link para o conteúdo em flash para abrir em outra janela.
Se o caso for trabalhos impressos, capriche nas fotos dos trabalhos, arrume um bom local e tire fotos bem iluminadas e tenha certeza de que vai mostrar algumas perspectivas do trabalho, isso é importante pra mostrar aquele brilho do verniz que o usuário não vai poder esfregar freneticamente =).
Em casos de sites muito longos como portais, trabalhe com closes de partes principais como a parte acima da primeira dobra, isto é, aquela que o browser mostra antes de se fazer a rolagem. Tente fazer alguma perspectiva também, mesmo não mostrando tudo em mínimos detalhes, isso vai dar uma bóa idéia de o que está relacionado naquela determinada página.
Não se esqueça de não exagerar, mantenha o layout do portfólio o mais simples possível, coloque sim seu estilo nele, mas tenha certeza que o seu trabalho vai chamar mais atenção que o fundo do seu site. Aí você pergunta: “e se eu não tenho muitos trabalhos para mostrar?”, FÁCIL! Já ouviu falar de experimentos? Crie sites por sua própria conta, muita gente cria esses layouts mesmo sem o cliente pedir, dê preferência a clientes grandes, que não vão se incomodar se você fizer um redesign do material deles, e quando for apresentar, coloque uma descrição de “proposta”, afinal, muita gente faz isso, vai dar um plus no seu portfólio e não é nada ilegal. Quem sabe até te contratem.
2 – Registre um domínio
Quando se está no começo, sites de portfólio grátis podem ajudar muito, como por exemplo o Carbonmade, eu mesmo tinha um, acho que ainda tenho. Mas convenhanmos, não é algo muito profissional de se mostrar, além de não poder customizar a aparência. Um registro de domínio pode ser feito facilmente hoje por R$30,00 por ano, isso mesmo, por ano! É algo muito barato e os domínios “.com”, não necessitam de CNPJ para se registrar. Uma boa hospedagem pode variar bastante, mas é necessário, você encontra muitos hosts por aí que variam entre R$10,00 mensais e outros de que se paga a cada três meses, também não é caro, prefira hospedagens Linux, elas geralmente são mais baratas, tem mais funções e além de que você encontra várias ferramentas grátis em PHP e MySQL para implementar no seu portfólio, simples para instalar e que não ficam devendo em nada às opções pagas. Uma delas é o próprio WordPress, que roda em PHP. Outra grande vantagem é que registrando um domínio você terá direito ao seu próprio e-mail e isso traz mais credibilidade.
3 – Deixe seus trabalhos em dia
Nunca se sabe quando algo novo vai pintar e um trabalho recém lançado pode fazer a diferença, tente manter ao máximo seus trabalhos em dia. Lançou aquele logo novo? Coloca na web! Folder pra aquela empresa? Vai pro portfólio. Meu amigo Mateus Paoletti sempre que lança algum trabalho novo, corre pro portifa e atualiza, como ele sempre diz: “quem não é visto não é lembrado” e ele tem razão, não que você esteja procurando outro emprego só por colocar um trabalho novo no ar, mas um portfólio atualizado vai mostrar que você não está parado e isso é um bom sinal verde para pessoas interessadas em seus trabalhos. Outra coisa, o portfólio afinal de contas é algo que outros profissionais vão querer ver, nós sabemos bem disso, não?
4 – XHTML e CSS
Pode parecer frescura, mas não é. Um portfólio em Flash tem menos chances de aparecer em uma busca do que um feito em XHTML e CSS, porque? Porque os buscadores leem o código mais fluentemente e no caso de alguém estar procurando por exemplo: “design de folders”, ele provavelmente vai ter mais chances de achar um trabalho seu no meio da busca.
Não esqueça de validar seus código, use o XHTML validator e o CSS validator para ter certeza de que está tudo certo. Ah! E se você não manja de códigos, sempre tem algum amigo que manja, peça ajuda a algum programador amigo seu, troque favores, faça um design pra ele, com certeza essa parceria pode render mais trabalhos.
5 – Crie um espaço para informações pessoais
Vamos dizer que alguém viu seus trabalhos e gostou, mas antes de contratá-lo, ele vai querer saber mais sobre você. É aí que entra o famoso link “sobre”, alí você deve mostrar um pouco de você, seus gostos pessoais, preferências de estilo, se você ilustra, se sabe algo de código, etc. Use uma linguagem mais informal, mas não use gírias, além de limitar o conhecimento das palavras para algumas regiões, vai baixar o nível de qualidade do seu portfólio.
6 – Um currículo é sempre bem vindo
Alguns não gostam, mas a verdade é que isso poupa o tempo de quem quer informações mais precisas a seu respeito, e é bom caso você não tenha um em mãos, sempre pode ir à uma lan-house e imprimir do seu site. Uma amiga que trabalha em RH, diz que os portfólio com curriculos teem preferência, pois não requerem que o contratante entre em contato para pedir mais informações, através do proprio site, ela já sabe se você se enquadra no perfil do que estão procurando. Outra coisa, feche um PDF pra web, fica mais leve e a maioria dos navegadores já conseguem abrir, ao contrário dos arquivos em Word.
7 – Coloque links para os trabalhos publicados
A real vantagem de se colocar os links é simplesmente mostrar a experiência real de navegar no site que você fe, no caso do design gráfico, coloque links para versões mais detalhadas do trabalho ou para o site da empresa que aplicou sua proposta de logotipo. Criar esse link nem sempre é obrigatório, mas é um luxo a mais para aqueles que se interessaram em determinado case.
8 – Como eu entro em contato?
Uma das partes mais importantes do seu portifa é o link “contato”, através dele as pessoas vão achá-lo para uma conversa mais pessoal. Esses dados tem de estar suficientemente visíveis para que mesmo com todos aqueles trabalhos, a pessoa ainda os ache. Uma sujestão é deixá-los na parte de cima da sua página, é o primeiro lugar que alguém vai procurar, outra sujestão é repetir pelo menos seu e-mail no rodapé, isso vai funcionar como uma espécie de “call to action”, levando a pessoa a te contactar depois de ver tudo o que você sabe fazer. Coloque dados como e-mail e telefone celular, não sou muito a favor de formulários, isso cria certa rejeição em quem está com pressa, além de tirar a sensação de liberdade da pessoa ter seu e-mail ou número, e é bom que ela tenha.
9 – Faça-se encontrar
Como o meu amigo Mateus disse, quem não é visto não é encontrado, portanto, mande seu portfólio, nós aqui nem sempre conseguimos postar tudo o que encontramos ou que nos é enviado, mas fazemos o possível para que tudo apareça, em breve teremos um meio de mostrar, aguardem 
Mas o importante é: divulgue! Vá a sites de divulgação como por exemplo o próprio DesignFlakes, o Web from Brazil que mostra trabalhos brazukas, o Poows que tem um ótimo fluxo de visitas, etc. O site da revista NewWebPick tem um cadastro grátis para você mostrar o link para seus trabalhos. Outra dica são as revistas especializadas como a Computer Arts Brasil, a Webdesign e a ABCDesign. Lembre-se do que o Mateus disse: quem não é visto não é encontrado!
Espero que essas dicas ajudem a criar pelo menos um meio termo entre o potfólio perfeito e o tão usado “em casa de ferreiro o espeto é de pau”.
Fonte: Design Flakes
Achei este texto no site Design pra vida, escrito por Ricardo Martinz e resolvi transcrevê-lo pois é muito bom:
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O ser humano evolui, passando pela infância, adolescência e fase adulta. No entanto, muitas faculdades de design continuam tratando os estudantes adultos, de design, como se ainda fossem crianças, usando as mesmas técnicas didáticas que se usavam no ensino fundamental e no ensino médio. Alguns professores chegam a se orgulhar do uso de técnicas “pedagógicas”. Isso só revela sua ignorância no assunto, pois a palavra pedagogia se refere ao ensino de crianças (pedagogia vem de paidós = criança).
Nesse artigo vou abordar o tema do ensino do design, sob o ponto de vista do ensino de adultos. Para isso, irei me basear no artigo escrito pelo professor e doutor Roberto Cavalcanti, fazendo alguns comentários e aplicando as informações no dia-a-dia das faculdades de design.
As características do estudante adulto de design
Segundo Malcolm Knowles*, ao contrário das crianças, o estudante de design adulto:
- É independente (não gosta de ficar dependendo dos outros).
- Tem experiência de vida (não é apenas um cérebro vazio esperando para ser preenchido com regrinhas de design).
- Interessa-se em desenvolver habilidades para usar no design.
- Quer aprender algo que possa aplicar imediatamente, no dia-a-dia de um designer.
- Quer aprender para resolver problemas reais de design e não simplesmente “aprender por aprender”, ou porque papai mandou.
- Tem motivações internas (auto-realização, vencer desafios, por ex.) e menos motivação externa (estudar para ganhar nota).
Sob esse ponto de vista, podem-se apontar as principais diferenças entre pedagogia (tratar estudantes de design como crianças) e andragogia (tratar como adultos), conforme a tabela a seguir:
| Características da Aprendizagem |
Pedagogia |
Andragogia |
| Relação Professor/Aluno de Design |
O professor de design é o centro das ações, decide o que ensinar, como ensinar e avalia a aprendizagem |
A aprendizagem adquire uma característica mais centrada no aluno de design, na independência e na auto-gestão da aprendizagem. O estudante quer conduzir os rumos do seu próprio estudo. |
| Razões da Aprendizagem |
O aluno de design deve aprender o que a sociedade espera que saibam (seguindo um curriculo padronizado) |
Pessoas aprendem o que realmente precisam saber. Neste caso, os estudantes de design não gostam de ficar aprendendo coisas inúteis, que não sabem onde vão usar ou que não tem relação nenhuma com o design em si. |
| Experiência do Aluno de Design |
O ensino é didático, padronizado e a experiência do aluno tem pouco valor. Os alunos de design aprendem as mesmas coisas e saem todos iguais no final da faculdade. |
A experiência é rica fonte de aprendizagem, através da discussão e da solução de problemas em grupo. O aluno pode escolher as matérias que quer estudar, dando ênfase ao que mais lhe interessa (unindo design e música, design e mangá, design e a Bíblia etc). |
| Orientação da Aprendizagem |
Aprendizagem por assunto ou matéria. |
Aprendizagem baseada em problemas, exigindo ampla gama de conhecimentos para se chegar a solução. Ao invés de pedir um “trabalho sobre teoria da cor”, o professor pede que os alunos resolvam um problema da vida real, usando o conhecimento sobre cores (Qual a relação entre a cor na sinalização de um carro e a temperatura dessa uma superfície? Como a tipografia afeta a leitura de uma placa de trânsito?) |
Como usar os princípios da andragogia para melhorar o ensino do design?
A seguir, são apontadas algumas sugestões que podem melhorar o ensino dos estudantes das faculdades de design, no Brasil:
Tirando proveito da Experiência Acumulada pelos Alunos. Não trate os alunos de design como se a falta de conhecimento em design significasse falta de conhecimento em tudo. Ele pode saber pouco de design, mas pode saber muito sobre cultura geral, história, quadrinhos, internet, tecnologia, religião, política. Use esse conhecimento para ajudar os alunos a criar pontes com o que já sabem e deixá-los motivados. Uma forma de fazer isso é fazendo uma pesquisa no começo do ano e perguntando ao aluno quais são os assuntos que lhe interessam, o que eles conhecem sobre outras áreas, e planeje sua aula levando isso em conta.
Propondo Problemas, Novos Conhecimentos e Situações sincronizadas com a Vida Real. Procure aplicar o design no cotidiano dos alunos, trazendo problemas reais, briefings verdadeiros, levando os alunos para a rua e mostrando como o design pode resolver problemas que eles nunca imaginaram. Por exemplo, colocar o valor da moeda dos dois lados evita que na hora de receber o troco seja preciso desvirar a moeda para saber o valor dela. Multiplique isso por cada pessoa, em cada fila, em cada caixa, no país inteiro, e veja o tempo que seria poupado (aprendi isso com o prof. Sawada). Ou ainda, a cor pode resolver um problema de contraste que impede que uma placa ser lida à distância ou uma mudança de material pode eliminar um reflexo que dificulte a visualização.
Justificando a necessidade e utilidade de cada conhecimento. Não fique enchendo linguiça ou dando conteúdo só porque “todo mundo ensina isso” ou porque “eu aprendi isso na faculdade, mesmo sem saber pra que serve, logo tenho que repetir esse conteúdo também”. Se você não sabe porque um assunto é ensinado, procure descobrir, ou então pule essa parte, pois se nem você entende para que serve aquele conceito de design, não vai haver milagre que faça seus alunos adivinharem isso. Aprenda primeiro, entenda o que você vai ensinar e daí mostre qual a utilidade desse conhecimento no dia-a-dia do designer.
Tirando proveito da Experiência Acumulada pelos Alunos. Faça os alunos de design colocarem para fora suas experiências e trocarem informações entre si, por meio de atividades práticas como discussões de grupo, exercícios de simulação, aprendizagem baseada em problemas e discussões de casos. Como o design é uma atividade multidisciplinar, ele é amplamente beneficiado de conhecimentos vindo dos alunos e de outras áreas do conhecimento. Se a aula não for planejada levando isso em conta, os alunos não terão como contribuir com o que já sabem, empobrecendo o ensino do design.
Estimulando e utilizando a Motivação Interna para o Aprendizado. Ao invés de motivar o aluno de design dizendo que se ele fizer o trabalho vai tirar uma nota mais alta, ou se não fizer, vai tirar uma nota mais baixa explore motivações mais fortes como ficar satisfeito pelo trabalho realizado, melhorar a qualidade dos projetos de design, aumentar suas chances de obter um bom emprego, conseguir clientes melhores, salários mais altos, ou mesmo maior auto-estima.
O professor Cavalcanti ainda dá outras dicas sobre como ensinar alunos adultos (adaptadas aqui para o ensino do design):
- Estudantes de design não gostam de passar vergonha na frente de outras pessoas. Assim sendo, quando for pedir a opinião de um aluno, faça isso de modo a deixar claro que ele não será humilhado. Quando for fazer uma pergunta, não pergunte “quem sabe a resposta?”, mas sim “quem pode iniciar uma resposta?”, pois assim é menos intimidador.
- A sala de aula de algumas faculdades de design continua com o mesmo aspecto de salas do primeiro grau, ou seja, em fileiras. O ensino de adultos depende da discussão em pequenos grupos, e isso sugere uma forma diferente para dispor as cadeiras e mesas, ou seja, em pequenos grupos, ou em círculos.
- O Professor de design nunca deverá dizer que a resposta de um adulto está errada. Cada resposta sempre terá alguma ponta de verdade que deve ser trabalhada. O professor deverá se desculpar pela pergunta pouco clara e refazê-la de modo a aproveitar a parte correta da resposta anterior. Fará então novas perguntas a outros estudantes, de modo a correlacionar as respostas até obter a informação completa.
- Adultos de design podem se concentrar numa explanação teórica durante 07 minutos. Depois disso, a atenção se dispersa. Este período deverá ser usados pelo Professor para estabelecer os objetivos e a importância do assunto a ser discutido, enfatizar o valor deste conhecimento e dizer o quanto sente-se motivado a discutí-lo. Vencidos os 07 minutos, é tempo de iniciar uma discussão ou outra atividade, de modo a diversificar o método e conseguir de volta a atenção. Estas alternâncias podem tomar até 30% do tempo de uma aula teórica de design, porém permitem quadruplicar o volume de informações assimiladas pelos estudantes.
O professor Cavalcanti afirma ainda que
“nos Cursos Universitários, geralmente recebemos adolescentes como calouros e liberamos adultos como bacharelandos. Estamos portanto trabalhando no terreno limítrofe entre a pedagogia e andragogia. Não podemos abandonar os métodos clássicos, de curriculos parcialmente estabelecidos e professores que orientem e guiem seus alunos, nem podemos, por outro lado, tolher o amadurecimento de nossos estudantes através da imposição de um curriculo rígido, que não valorize suas iniciativas, suas individualidades, seus ritmos particulares de aprendizado. Precisamos encontrar um meio termo, onde as características positivas da Pedagogia sejam preservadas e as inovações eficientes da Andragogia sejam introduzidas para melhorar o resultado do Processo Educacional.”
Se os professores de design, no Brasil, continuarem a achar que o modo de ensinar é o mesmo método pedagógico que foi usado com eles, enquanto eram alunos do primeiro e segundo grau, teremos muitos designers aprendendo pouco, sem motivação e sem fazer pontes com o que já conhecem. Pior ainda, vão se tornar profissionais medíocres, ganhando salários medíocres, sem conquistar o respeito que o design merece no Brasil. E com isso, todo mundo sai perdendo. Mas, se mais professores entenderem que o ensino de adultos é diferente, e levarem isso em conta na hora de planejar suas aulas, teremos a chance de evoluir o ensino do design no Brasil, com efeitos diretos na qualidade projetual, tanto a curto, médio e longo prazo. E todo mundo vai sair ganhando.
Cavalcanti, R. ANDRAGOGIA: A APRENDIZAGEM NOS ADULTOS. Revista de Clínica Cirúrgica da Paraíba, Nº 6, Ano 4
* Para quem se interessar pelo tema da Andragogia, poderá ler o livro “The Adult Learner – A Neglected Species” (1973), de Malcolm Knowles. O termo “andragogia” refere-se ao ensino de adultos, levando em conta suas diferenças em relação às crianças.
Autoria do Texto: Ricardo Martinz