Você é um romântico? Então um dos livros que deveria ler é bem mais filosófico: O Banquete (Platão). Nele aprendemos algumas definições sobre o amor, tal como o amor platônico (sim, aposto que poucos tinham associado Platão com Platônico), a busca da alma gêmea e de onde vem este conceito.
Uma passagem importante do livro foi muito bem musicada e ilustrada no filme da cultura pop chamado Hedwig and the Angry Inch, o clipe segue abaixo! A parte mais legal do final não tá no clipe, vai precisar ver o filme para saber! Mas o texto diz:
Last time I saw you
We had just split in two.
You were looking at me.
I was looking at you.
You had a way so familiar,
But I could not recognize,
Cause you had blood on your face;
I had blood in my eyes.
But I could swear by your expression
That the pain down in your soul
Was the same as the one down in mine.
That’s the pain,
Cuts a straight line
Down through the heart;
We called it love.
Design sem cultura não é nada! Portanto, vejam o filme e leiam o livro!
Com a popularização da profissão de designer, muitas faculdades viram um filão do mercado acadêmico pouco explorado até então. Vimos surgir cursos de design em vários cantos, sempre com a mesma grade curricular, mas poucos professores realmente capacitados para os cursos. Anualmente vemos um número crescente de designers sendo “despejados” no mercado, muitas vezes sem preparação e/ou talento algum para a função. Designer virou a profissão da “moda”, é bonito ser designer hoje em dia.
Me lembro que a uns 20 anos atrás, quando ainda se estudava Desenho Industrial para ser designer, que os pensadores proféticos diziam que estávamos na era da informação, pelo advento da internet, que a informação vale ouro. Pois os anos se passaram e percebi que hoje, a informação não vale nada se você não for sábio e criativo o suficiente para usá-la a seu favor. Não é o profissional que sabe mais, que vale mais e sim o profissional que sabe usar de forma correta a informação que tem.
Cursos de graduação são importantes na formação de todo designer, mas não valem muita coisa no mercado, já que estes dados acima já estão sendo percebidos e os “pára-quedistas” de profissão tem sido identificados. Dois pontos se fazem necessários na vida de um designer para ter peso na carreira: vida acadêmica e repertório.
Vida acadêmica porque não se pode mais parar na graduação, achando que isso basta, isso na verdade é só o começo. Você não precisa virar um PhD de design, mas precisa ter especializações, pós-graduação, MBA, algo que acrescente valor no seu trabalho, que dê peso extra na sua carreira e currículo, aumentando suas chances de um bom emprego e salário. Procure neste caso algo que você goste não somente dentro do design, algo que vai complementar na sua vida profissional. Um bom exemplo é um designer fazer pós-graduação em psicologia infantil, isso daria a ele peso suficiente para trabalhar com materiais educacionais como apostilas, brinquedos, móveis para escolas e tudo o que as duas profissões possam oferecer.
Repertório porque não basta se focar no design sendo um designer! No Pixel Show deste ano, entrevistei o cartunista prodígio da Folha de SP, João Montanaro, que deu uma das dicas mais pertinentes que já ouvi em um evento. Um dia falaram para ele nunca estudar desenho, por dois motivos simples: não perder a propriedade do traço dele e para se focar em outras coisas que não desenho, com isso ele aumenta o repertório do conhecimento dele.
Enfim, conhecimento não é tudo se você não sabe como usá-lo e quanto mais você souber, mais você poderá chegar mais longe e mais rápido.
Já parou para pensar nos estereótipos de estudantes de design que estão nas faculdades? Pois o Chuck Dillion, um professor da The Hussian School of Art in Philadelphia já pensou e desenhou cada um dos tipos que já cruzaram seu caminho nas salas de aula, agora você pode tentar se enquadrar em um deles. Confiram nos sketchs abaixo e identifique-se!
Me lembro bem das palestras e cursos que já vi do mestre Alexandre Wollner, onde ele defende com afinco a divisão entre Design e Styling, mas o que é cada um deles? São mesmo coisas diferentes? Não existe mesmo contribuição entre eles?
Devemos lembrar que o Design ainda é uma profissão nova e muita gente não sabe o que é, basta procurar uma vaga de emprego e você vai perceber que tem muita empresa por ai querendo um Design Gráfico que saiba HTML, claro que se o designer souber é ótimo pra ele, mas um Gráfico não tem obrigação nenhuma de saber HTML, pois faz parte do trabalho de um Webdesigner, parece grotesco, mas é muito comum este tipo de erro.
Design
Acredito que todo estudante de design já ouviu ou viu a fórmula verdadeira que diz assim:
Design = Forma + Função
Portanto, não existe design sem estas duas partes, o que já mostra pra nós que design também não é arte. Uma determinada fonte não foi idealizada, desenhada, sem um propósito. Quando um designer escolhe uma fonte para usar em seu projeto, ele leva em consideração a forma da fonte para passar uma mensagem ou melhorar a interação do receptor com o material que ele está lendo. Um bom exemplo é que quando queremos expressar velocidade, uma boa fonte seria alguma com itálico, ou desenhada para tal função, veja no exemplo abaixo:
VELOCIDADE
Isso mostra que a forma escolhida tem uma função, a de expressar velocidade ou reforçar o conceito de velocidade.
O mesmo acontece com a escolha de uma cor, veja abaixo e me diga, qual é o amor que você quer para a sua vida e por que?
AMORAMOR
Garanto que a grande maioria esmagadora escolheria o amor em vermelho, pois ele é quente, lembra coração, lembra aconchego e não o amor azul que mais parece gelado, de pedra. Portanto, a escolha da cor sempre tem uma função.
Styling
É um movimento que surgiu em 1929 com a quebra da bolsa americana, que para incrementar as vendas foi usada para tornar os produtos mais atraentes, até mesmo para camuflar alguma falta de qualidade. Muitos designers ainda afirmam que Styling é um embelezamento e defendem que não é design.
Um bom exemplo seria o “design de sobrancelha”. Muitos designers acham um verdadeiro absurdo chamar isso de design, afirmando que é um embelezamento, em contrapartida alguns ainda afirmam que é design pois o profissional usa forma para passar uma informação, ajusta, refina uma sobrancelha para o rosto, torna mais harmônico e agradável o olhar. Um bom exemplo é que se, por exemplo, eu fosse um designer responsável pela candidatura de alguém, fatalmente eu pensaria também no “layout” do rosto dele e até mexeria em sua sobrancelha para deixar a fisionomia mais agradável ao eleitor, por que não? Imagem é tudo sempre!
Independente do que eu ou você achamos, acredito que hoje já não dá muito para separar design de styling, acho que o publico de hoje espera e atribui “design” a um produto bonito e não a função dele. Acho que ambos podem cooperar no projeto. Mas deixo bem claro que sou contra termos como “designer de bolos”, se liga né, já existe esta profissão e ela se chama “confeiteiro”, não tenha vergonha nunca da sua profissão!
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